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                       Asé Omó Osayín. . .
                                                                   Ewé Ayé  5ta Edición

                                                                  Obá Oriaté Miguel "Willie" Ramos, Ilarí Obá

$21.99 +5.45 S&H

 

 

 

 

Traduzido perto Ricardo Ferreira do Amaral, advogado, artista plástico e filho de Airá.

 

Desde que fui iniciado na religião na cidade de Nova Iorque, preocupei-me pelo que considerei uma urgente necessidade de disseminar informação sobre a religião lukimi à crescente comunidade religiosa nos Estados Unidos. Com apenas dezesseis anos de idade, publiquei a primeira edição deste livro, uns 100 tomos, que pensei distribuir entre algumas amizades e os membros do meu Ilé Osha. Atualmente, revisando o manuscrito e o exemplar daquele primeiro livro, me sinto um tanto envergonhado, pois os erros ortográficos e gramaticais foram muitos e o livro foi impresso sem que pudessem ser feitas as devidas correções. Mais me zango ainda, quando vejo as cópias piratas daquela edição, que ainda seguem vendendo – especialmente em Nova Iorque – os ladrões e gatunos baratos que lucram com o trabalho e esforço dos outros sem o mínimo remorso.

Impulsionado pelo fervor religioso e uma mentalidade idealista e ingênua, fui vítima da minha própria falta de malícia e pela inexperiência tocante aos assuntos do mundo “real”, pelo que paguei com muito custo. O impressor, que segundo nosso acordo editaria o livro e corrigiria os erros, nunca cumpriu o combinado. O resultado foi que o livro foi impresso com todos os erros e até com os riscos e borrões que o editor, supunha-se que os corrigisse mas nunca o fez.

 

Quando obtive o produto final e tropecei com a defesa despótica do impressor, que ao final das contas estava tratando com um pirralho imaturo, aquele se recusou a sanar seu erro. Perdi a metade do dinheiro que ele havia pedido pelo trabalho, porém, me entregou os livros tal qual estavam, sem nenhuma correção. Ele também perdeu, pois nunca cobrou a soma completa que tinha pedido para fazer o trabalho – eu era ingênuo, mas não estúpido. Ainda por cima de ter feito mal o trabalho, eu seria demasiado bobo se lhe pagasse o saldo faltante. No entanto, como a idéia inicial era a de repartir aquela edição às minhas amizades e família de Osha, não me preocupei tanto assim e distribui os livros tal qual estavam, com um sem número monstruoso de erros. Que mancada!

Apesar das falhas, em questão de meses, os piratas intelectuais conseguiram uma cópia do livro e o imprimiram e repartiram por toda a cidade de Nova Iorque, novamente sem corrigir nenhum erro e o mais indignativo: sem o meu consentimento. Novamente fui vítima. Consultei alguns advogados, mas todos coincidiram numa coisa: perseguí-los seria um processo difícil e por demais oneroso para um assunto tão pequeno, pois perderia tempo e dinheiro sem garantia alguma.

Foram repartidos milhares de exemplares piratas através das botânicas (lojas especializadas em artigos religiosos) da cidade. Para grande surpresa minha, apesar de todas as falhas, o livro gozou de um grande êxito. Por razões inexplicáveis - provavelmente impulsionado pela escassez de material sobre a religião naquela época- o livro sempre foi muito bem recebido. Até na atualidade, constantemente encontro com pessoas que me confessam terem aprendido os súyeres de Osayín e os orixás, graças a esse livro ou que consultam o livro quando desejam conhecer as cores rituais para confeccionar os colares de seus orixás. O mero fato de este livro ter influenciado a vida de tantos olorixás, quiçá seja a minha maior recompensa. Modupé ó!

Desde aquela monstruosa edição de 1975, a edição revisada deste livro tem sido impressa por mais três vezes. Lamentavelmente, os piratas continuam à espreita. Carecem de intelectualidade pra produzir trabalhos de valor para a comunidade religiosa, porém ainda mais, carecem do mais básico sentido de ética, sobrando-lhes imoralidade e vileza. Deposito esta injustiça nas mãos de Ogum, Xangô e Olodumarê.

Ainda que esteja muito consciente de a edição revisada também conter alguns erros, e de minha perspectiva  ter evoluído através dos anos e da experiência adquirida, não posso deixar de sentir que este livro conseguiu cumprir com os desejos daquele jovem ingênuo de dezesseis anos: disseminar informação. Considero que o livro é uma ferramenta muito valiosa para o iyawô e o olorixá jovem que estejam dando seus primeiros passos dentro da religião lukumi, da mesma maneira que para o aborixá ou aleyô que está tratando de obter uma melhor compreensão sobre a religião na que está se introduzindo.   

© 2001-2007, Miguel Ramos  

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